Diáspora africana: Léo Sidónio de Jesus Cote (Maputo, Mozambique, 1981). Traducción Maribel Roldán

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

La UNESCO adoptó en 2019, el 24 de enero como el Día Mundial de la Cultura Africana y de los Afrodescendientes, el cual celebra las numerosas y vibrantes culturas del continente africano y de las diásporas africanas en todo el mundo. Ante tal hecho, la revista Literaria Taller Igitur elabora la serie "Diáspora africana" a partir del título A Arqueologia da Palavra e a Anatomia da Língua (2007). Es una antología de poesía portuguesa preparada por el poeta Amosse Mucavele (Maputo, Mozambique, 1987), de la cual extraemos a los poetas de África para la serie de poesía.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Léo Sidónio de Jesus Cote (Maputo, Mozambique, 1981)

 

Traducción Maribel Roldán

 

 

 

 

 

Escrituras

 

Llego en el silencio que enciende

las cuatro herraduras del tiempo

y encuentro el inagotable yacimiento,

catedral de rubí que me habita.

 

En la madrugada, sueño con los rumbos

gesto que inventa el cristal de las palabras,

sorprendiendo las rocas con la lluvia

para derramar la sagrada escritura

 

Ahora, solo camino con los pájaros

escuchando las bellezas de esta tierra

y sustento las parábolas salvadoras

con esta médula que me carga.

 

Escucha, desde los confines del largo día,

la noche que viene - cortina de versos

que revelan las estrellas de abril

en mis ojos pasmados de ver tanto.

 

 

 

 

Aurora

 

La libertad del crepúsculo temblando.

Escucho el ruido de los pájaros del Sertão.

 

Me inclino sobre el nido del Cosmos.

Mis manos trabajan en el vacío.

 

Mis manos trabajan en la inmensidad.

Larga batalla en busca de belleza.

 

De la boca de los pájaros, las guitarras del sol.

Rezo bendito y grito los nombres de la Tierra.

 

Contemplo la mansedumbre del silencio que vuela.

Mis sandalias están hechas de aurora.

 

Los laberintos brillan de mis dedos.

Mi camino es el striptease de la soledad.

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrituras

 

Eu chego no silêncio que acende

as quatro ferraduras do tempo

e encontro a inesgotável jazida,

catedral do rubi que me habita.

 

Na madrugada, sonho com os rumos,

gesto que inventa o cristal das palavras,

surpreendendo as pedras com a chuva

a derramar a escritura sagrada.

 

Agora, apenas ando com os pássaros

a escutar as belezas desta terra

e sustento as parábolas salvíficas

com esta medula que me carrega.

 

Escuta, dos confins do longo dia,

a noite a chegar – cortina de versos

que revelam as estrelas de abril

aos meus olhos pasmos de tanto ver.

 

 

 

 

Aurora

 

A liberdade do crepúsculo trémula.

Escuto o alarido dos pássaros do Sertão.

 

Debruço-me no ninho do Cosmo.

Minhas mãos trabalham no vazio.

 

Minhas mãos trabalham na imensidão.

Longa batalha em busca da beleza.

 

Da boca dos pássaros, os violões do Sol.

Rezo benditos e grito os nomes da Terra.

 

Contemplo a mansidão do silêncio que voa.

As minhas sandálias são feitas de aurora.

 

De meus dedos esplendem labirintos.

Meu caminho é o strip-tease da solidão.

 

 

 

 

 

Léo Sidónio de Jesus Cote (Maputo, Moçambique, 1981). Frequentou o curso de Linguística e Literatura na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane. Foi professor primário e secundário. Em 2004, como co-fundador, cria o grupo Arrabenta Xithokozelo, que passou a animar as noites de poesia e música no Modaskavalu (Teatro Avenida). Tem organizado recitais de poesia e tertúlias literárias, tendo participado num programa de rádio, por um ano e meio, como leitor comentador de obras literárias na Politécnica Rádio, da Universidade Politécnica. Publicou Carto poemas de sol a sal (2012), Poesia total (2013), Prémio Literário 10 de Novembro do Concelho Municipal de Maputo, 2012 e Campo de areia (2019).

 

 

 

 

Maribel Sánchez Roldán. (1997, Puebla). Se ha iniciado en la literatura, traducción y enseñanza de las lenguas a edad temprana, lo que llevó a su primera publicación y colaboración poética en “Causalidades: Antología de poesía poblana” (2013) y posteriormente en “Antología viva de la poesía volcánica” (2018). Ha participado a su vez en proyectos literarios nacionales e internacionales, tales como las revistas de difusión poética “Arroba Textos” (2012) “Fractalario” (2015) “Página en Blanco” (2017), “Círculo de Poesía” (2018), “Prosa” (Colombia, 2018) y traducido para las editoriales “Visor” (México, 2018) y “Electrón Libre” (Marruecos, 2018). Entusiasta de la filosofía, el arte, la guitarra, el canto y el dibujo. Actualmente, directora y docente en “Etymos” Estudio de Lenguas Extranjeras.

 

 

 

 

Amosse Mucavele (Maputo, Moçambique, 1987) onde vive. Poeta e jornalista cultural, coordenador do projeto de divulgação literária “Esculpindo a Palavra com a Língua”, foi chefe de redação de “Literatas – Revista de Literatura Moçambicana e Lusófona”, diretor editorial do Jornal O Telégrafo, Editor Chefe do Jornal Cultural Debate, Editor de Cultura no Jornal ExpressoMoz, Colaborador do Jornal Cultura de Angola e Palavra Comum da Galiza – Espanha. É membro do Conselho Editorial da Revista Mallarmargens (Brasil), da Academia de Letras de Teófilo Otoni (Brasil) e da Internacional Writers Association (Ohio – USA). Representou Moçambique na Bienal de Poesia da Língua Portuguesa em Luanda (2012), nas Raias Poéticas, Vila Nova de Famalicão (2013), no Festival Internacional de Poesia de Córdoba (2016) e em 2017 participou numa série de atividades em Portugal, nomeadamente: IV Festival Literário da Gardunha, no Fundão; VI Encontro de Escritores Lusófonos no âmbito da Bienal de Culturas Lusófonas, Odivelas; Conversa sobre a poesia moçambicana, no Centro Intercultura Cidade, Lisboa; Palestra na Universidade de Lisboa, entre outras. Com textos publicados em diversos jornais do mundo lusófono, publicou os livros: “A Arqueologia da Palavra e a Anatomia da Língua – Antologia Poética”, Revista Literatas, 2013 (coordenação) e “Geografia do Olhar: Ensaio Fotográfico Sobre a Cidade” (editora Vento de Fondo, Córdoba, Argentina, 2016), livro premiado como Livro do Ano do Festival Internacional de Poesia de Córdoba; no Brasil (Dulcineia Catadora Edições, Rio do Janeiro, 2016); em Moçambique (Cavalo do Mar, Maputo, 2017).

 

 

 

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