Diáspora africana: Eduardo White (Quelimane, Mozambique, 1963). Traducción Maribel Roldán

 

 

 

 

 

 

 

 

La UNESCO adoptó en 2019, el 24 de enero como el Día Mundial de la Cultura Africana y de los Afrodescendientes, el cual celebra las numerosas y vibrantes culturas del continente africano y de las diásporas africanas en todo el mundo. Ante tal hecho, la revista Literaria Taller Igitur elabora la serie "Diáspora africana" a partir del título A Arqueologia da Palavra e a Anatomia da Língua (2007). Es una antología de poesía portuguesa preparada por el poeta Amosse Mucavele (Maputo, Mozambique, 1987), de la cual extraemos a los poetas de África para la serie de poesía.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Eduardo White (Quelimane, Mozambique, 1963)

 

 

Maribel Sánchez Roldán (1997, Puebla, México)

 

 

 

 

 

 

Moira

 

Este tiempo

cabe en mi cuerpo

corto el molde

enmiendo

a gusto.

Este tiempo es mío

(me dicen)

aunque me inmovilice los brazos

me sofoque el pecho

un apretón en la cintura.

Un cielo teñido de púrpura

cae sobre mí

y sus gotas lavan

el cristal sucio.

La tijeras rechinan

y repiten

que soy una deidad muerta.

Pero este tiempo es mío

me envuelve el cuerpo.

 

 

 

 

 

 

 

 

Moira

 

Este tempo

cabe no meu corpo

corto-lhe o molde

emendo

a gosto.

Este tempo é meu

(dizem-me)

ainda que me imobilize os braços

que me sufoque o peito

um aperto na cintura.

Um céu tinto de roxo

despenca sobre mim

e suas gotas lavam

a vidraça suja.

A tesoura range

e repete

que sou uma deidade morta.

Mas este tempo é meu,

envolve-me o corpo.

 

 

 

 

 

Eduardo White, nasceu em Quelimane, em 1963. Foi membro fundador e pertenceu ao conselho de coordenação da revista Charrua. Dirigente da AEMO (Associação dos Escritores Moçambicanos), é poeta, dramaturgo, cronista. Tem colaboração dispersa na imprensa e em antologias em Moçambique, Angola, Brasil, Portugal, França. Vencedor de vários prémios literários, entre eles o Prémio Gazeta da Revista Tempo, Prémio Nacional de Moçambique e Prémio José Craveirinha. Publicou: Amar sobre o Índico, (1984); Homoine (1987); Vozes de sangue (1988); O país de mim (1989); Poemas da ciência de voar e da engenharia de ser ave (1992); Os materiais do amor seguido de O desafio à tristeza (1996); Rostos da língua – breve antologia de autores de língua portuguesa (1999); Dormir com Deus e Um navio na língua (2001); As falas do escorpião (2002); O manual das mãos (2004); O homem a sombra e a flor, e outras cartas do interior (2004); Até amanhã coração (2007); Dos limões amarelos do falo às laranjas vermelhas da vulva (2009), entre outros.

 

 

 

Maribel Sánchez Roldán. (1997, Puebla). Se ha iniciado en la literatura, traducción y enseñanza de las lenguas a edad temprana, lo que llevó a su primera publicación y colaboración poética en “Causalidades: Antología de poesía poblana” (2013) y posteriormente en “Antología viva de la poesía volcánica” (2018). Ha participado a su vez en proyectos literarios nacionales e internacionales, tales como las revistas de difusión poética “Arroba Textos” (2012) “Fractalario” (2015) “Página en Blanco” (2017), “Círculo de Poesía” (2018), “Prosa” (Colombia, 2018) y traducido para las editoriales “Visor” (México, 2018) y “Electrón Libre” (Marruecos, 2018). Entusiasta de la filosofía, el arte, la guitarra, el canto y el dibujo. Actualmente, directora y docente en “Etymos” Estudio de Lenguas Extranjeras.

 

 

 

 

Amosse Mucavele (Maputo, Moçambique, 1987) onde vive. Poeta e jornalista cultural, coordenador do projeto de divulgação literária “Esculpindo a Palavra com a Língua”, foi chefe de redação de “Literatas – Revista de Literatura Moçambicana e Lusófona”, diretor editorial do Jornal O Telégrafo, Editor Chefe do Jornal Cultural Debate, Editor de Cultura no Jornal ExpressoMoz, Colaborador do Jornal Cultura de Angola e Palavra Comum da Galiza – Espanha. É membro do Conselho Editorial da Revista Mallarmargens (Brasil), da Academia de Letras de Teófilo Otoni (Brasil) e da Internacional Writers Association (Ohio – USA). Representou Moçambique na Bienal de Poesia da Língua Portuguesa em Luanda (2012), nas Raias Poéticas, Vila Nova de Famalicão (2013), no Festival Internacional de Poesia de Córdoba (2016) e em 2017 participou numa série de atividades em Portugal, nomeadamente: IV Festival Literário da Gardunha, no Fundão; VI Encontro de Escritores Lusófonos no âmbito da Bienal de Culturas Lusófonas, Odivelas; Conversa sobre a poesia moçambicana, no Centro Intercultura Cidade, Lisboa; Palestra na Universidade de Lisboa, entre outras. Com textos publicados em diversos jornais do mundo lusófono, publicou os livros: “A Arqueologia da Palavra e a Anatomia da Língua – Antologia Poética”, Revista Literatas, 2013 (coordenação) e “Geografia do Olhar: Ensaio Fotográfico Sobre a Cidade” (editora Vento de Fondo, Córdoba, Argentina, 2016), livro premiado como Livro do Ano do Festival Internacional de Poesia de Córdoba; no Brasil (Dulcineia Catadora Edições, Rio do Janeiro, 2016); em Moçambique (Cavalo do Mar, Maputo, 2017).

 

 

 

 

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