Diáspora africana: Abreu Paxe (Angola). Traducción Maribel Roldán

 

 

 

 

 

 

 

La UNESCO adoptó en 2019, el 24 de enero como el Día Mundial de la Cultura Africana y de los Afrodescendientes, el cual celebra las numerosas y vibrantes culturas del continente africano y de las diásporas africanas en todo el mundo. Ante tal hecho, la revista Literaria Taller Igitur elabora la serie "Diáspora africana" a partir del título A Arqueologia da Palavra e a Anatomia da Língua (2007). Es una antología de poesía portuguesa preparada por el poeta Amosse Mucavele (Maputo, Mozambique, 1987), de la cual extraemos a los poetas de África para la serie de poesía.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Abreu Paxe (Angola)

 

Traducción Maribel Roldán

 

 

 

 

Saga para Ode

 

es precisa la distancia para llegar

donde el poema parte y se reparte

con las cenizas nocturnas y la madrugada en las manos

 

es preciso el lugar aunque duela

la emoción azul de sangrar por dentro

con pensar en la tierna galaxia de la mirada

 

es preciso todo como muerte y flores

en la raíz en el viento de los brazos enteros que dieron

por un nombre una idea roja en los labios de la libertad

 

es preciso ver musgo la alegría a los lados

de tu imagen garza deslizándose

y sorber el agua en la reluciente exuberancia de tus senos

es precisa la insurrecta soledad de algunos días

cuando los archipiélagos de ser dicen barco

y tus pasos acechan

y tímidos recorren el horizonte coral del silencio

es preciso inventarte porque existes

mientras los dioses adormecen en las páginas de los libros

y lo real es la infinita medida del canto

como encender las luces al mediodía

y al sol con pétalos abiertos

vierte la savia a la tierra

es necesario, mi amor, pasar por el tiempo que nos dieron

suspendido donde estamos en los párpados del verano

 

en Materia Concentrada - Antología Poética

 

 

 

 

Gulamo Khan

 

Un pájaro cayó

¡Viniendo de la espiral de una caracola! *

Devuelvo, contigo, la carne macerada

En el laberinto de formas

Y canto el rojo de tus paños,

Virgen de las sensaciones.

 

Cuerpo exterior a toda gramática,

Nostálgica fue la semilla donde

El tigre te contemplaba.

 

Kubla Khan

En Xanadu da Mafalala

Y agonizante tropel de caballero mongol

Envolviendo el águila

 

La gacela palpitando

Y la caracola recogiendo el mar.

 

 

* Rainer Maria Rilke, La tercera elegía

 

en Materia Concentrada - Antología Poética

 

 

 

 

 

 

 

Saga para Ode

 

é preciso a distância para chegar

onde o poema parte e se reparte

com cinzas nocturnas e a madrugada nas mãos

 

é preciso o lugar ainda que doa

a emoção azul de sangrar por dentro

com o pensamento na galáxia terna do olhar

 

é preciso tudo como haver morte e flores

na raiz ao vento dos braços inteiros que se deram

por um nome uma ideia rubra nos lábios da liberdade

 

é preciso ver musgo a alegria até ás ilhargas

da tua imagem garça a deslizar

e sorver a água na exuberância lustral dos teus seios

é preciso a insurrecta solidão dalguns días

quando os arquipélagos de ser dizem barco

e os teus passos espreitam

e tímidos percorrem o horizonte coral do silêncio

é preciso inventar-te porque existes

enquanto os deuses adormecem nas paginas dos libros

e o real é a infinita medida do canto

como acender as luzes ao meio-dia

e no mais sol de pétalas abertas

verter a seiva a singrar na terra

é preciso, meu amor, percorrer o tempo que nos deram

suspensos onde estamos nas pálpebras do verão

 

in Matéria Concentrada – Antologia Poética

 

 

 

 

Gulamo Khan

 

Um pássaro caiu

Vindo da espiral de um búzio!*

Devolvo, contigo, a macerada carne

Ao labirinto das formas

E canto o vermelho dos teus panos,

Virgem das sensações.

 

Corpo exterior a toda a gramática,

Nostálgica era a semente onde

O Tigre te contemplava.

 

Kubla Khan

Em Xanadu da Mafalala

E agónico tropel de cavaleiro mongol

Enlaçando a águia,

 

A gazela pulsando

E o búzio recolhendo o mar.

 

 

*Rainer Maria Rilke, A Terceira Elegia

 

in Matéria Concentrada – Antologia Poética

 

 

 

 

Abreu Paxe (Angola) é mestre em Ensino de Literaturas em Língua Portuguesa, no Instituto Superior de Ciências da Educação, ISCED de Luanda da Universidade Agostinho Neto (UAN). Licenciou-se, na especialidade de Língua Portuguesa na mesma instituição, onde é docente de Literatura Angolana, Introdução aos Estudos Literários e Teoria da Literatura. É Membro da União dos Escritores Angolanos (UEA), na qual é Secretário para as Relações Exteriores. Publicou os seguintes livros de poesia A Chave no Repouso da Porta, (INALD, 2003) que venceu o Prémio Literário António Jacinto e O Vento Fede de Luz, (UEA, 2007). No Brasil, colabora e foi publicado nas Revistas Dimensão (MG), Et Cetera (PR), Comunitá Italiana (RJ), nas Revistas Electrónicas Zunai e Cronopios (SP), na Antologia Ovi-Sungo, 13 poetas de Angola, Org. pelo Claudio Daniel (SP),” Lumme, 2007” e na Revista Literária Roda – Arte e Cultura do Atlântico Negro (MG). Em Portugal na Antologia Os Rumos do Vento, (Câmara Municipal de Fundão, 2006). Foi membro da comissão organizadora e curador da primeira bienal internacional da poesia realizada em Angola.

 

 

 

Maribel Sánchez Roldán. (1997, Puebla). Se ha iniciado en la literatura, traducción y enseñanza de las lenguas a edad temprana, lo que llevó a su primera publicación y colaboración poética en “Causalidades: Antología de poesía poblana” (2013) y posteriormente en “Antología viva de la poesía volcánica” (2018). Ha participado a su vez en proyectos literarios nacionales e internacionales, tales como las revistas de difusión poética “Arroba Textos” (2012) “Fractalario” (2015) “Página en Blanco” (2017), “Círculo de Poesía” (2018), “Prosa” (Colombia, 2018) y traducido para las editoriales “Visor” (México, 2018) y “Electrón Libre” (Marruecos, 2018). Entusiasta de la filosofía, el arte, la guitarra, el canto y el dibujo. Actualmente, directora y docente en “Etymos” Estudio de Lenguas Extranjeras.

 

 

 

 

Amosse Mucavele (Maputo, Moçambique, 1987) onde vive. Poeta e jornalista cultural, coordenador do projeto de divulgação literária “Esculpindo a Palavra com a Língua”, foi chefe de redação de “Literatas – Revista de Literatura Moçambicana e Lusófona”, diretor editorial do Jornal O Telégrafo, Editor Chefe do Jornal Cultural Debate, Editor de Cultura no Jornal ExpressoMoz, Colaborador do Jornal Cultura de Angola e Palavra Comum da Galiza – Espanha. É membro do Conselho Editorial da Revista Mallarmargens (Brasil), da Academia de Letras de Teófilo Otoni (Brasil) e da Internacional Writers Association (Ohio – USA). Representou Moçambique na Bienal de Poesia da Língua Portuguesa em Luanda (2012), nas Raias Poéticas, Vila Nova de Famalicão (2013), no Festival Internacional de Poesia de Córdoba (2016) e em 2017 participou numa série de atividades em Portugal, nomeadamente: IV Festival Literário da Gardunha, no Fundão; VI Encontro de Escritores Lusófonos no âmbito da Bienal de Culturas Lusófonas, Odivelas; Conversa sobre a poesia moçambicana, no Centro Intercultura Cidade, Lisboa; Palestra na Universidade de Lisboa, entre outras. Com textos publicados em diversos jornais do mundo lusófono, publicou os livros: “A Arqueologia da Palavra e a Anatomia da Língua – Antologia Poética”, Revista Literatas, 2013 (coordenação) e “Geografia do Olhar: Ensaio Fotográfico Sobre a Cidade” (editora Vento de Fondo, Córdoba, Argentina, 2016), livro premiado como Livro do Ano do Festival Internacional de Poesia de Córdoba; no Brasil (Dulcineia Catadora Edições, Rio do Janeiro, 2016); em Moçambique (Cavalo do Mar, Maputo, 2017).

 

 

 

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